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Esse texto publiquei em uma comunidade de debate no Orkut sobre Batuque, convido todos as participarem dessa comunidade que está cada vez mais apresentando debates sobre o Batque do Rio Grande do Sul de forma madura e didática. O endereço eletrônico dessa comunidade é http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1834012, porém está sujeito a normas de inscrição do próprio Orkut. Vamos ao texto:

Estou falando de relacionamento, comportamento e comunicação. Não vou falar em fundamento!

Após alguns tópicos, andei refletindo e conclui que podemos estarmos caminhando para um local não muito interessante, pois muitas vezes, não estamos sendo bem interpretados e amanhã ou depois essas interpretações erradas de nossas colocações podem gerar estórias sobre determinado Pai-de-Santo, assim vamos acabar caindo nos mesmos erros que hoje questionamos, assim nossas passagens como Babalorixás e Yalorixás serão para sempre lendas e nunca mais histórias. Então acredito que se dúvidas ficarem, sanadas devem ser e a sim: “Fulano falou isso!”

Muitas vezes por repetição caio muito nesse erro, de levar adiante fatos que de fato não sei, mas normalmente procuro falar do que sei, muitos me indagam sobre o Pai Pedro, (Pedro, te peço desculpas em citar teu nome, sem tua previa autorização, mas já enchi o saco disso) por saberem que tenho uma aproximação com ele. Sempre falo a mesma coisa: Gosto do Pedro, sou muito bem recebido, como Babalorixá dentro do Ilê de Oxum, pelo Pedro e pela Viviane, assim como por seus filhos. Tenho por alguns, por conhecer um pouco mais, uma afinidade maior, que é o caso da Andréia, conversamos pouco, mas nossos “santos” se cruzam. Gosto muito do Márcio e de uma menina do Bará que nem sei o nome, mas sinto um afeto muito interessante. Se o Ilê só cresce, que é a dúvida que muitos colocam, digo é por pura competência e axé, fui convidado para compartilhar um “serão” na casa e foi maravilhoso, ali tem Orixá, ali tem axé. Se cobra caro ou não cobra caro isso é um problema entre os interlocutores do fato e ninguém tem nada a ver com isso, o que interessa é o resultado final e a satisfação do cliente. Como cresce, acredito nos Orixás, é por ter algum motivo, nada na Religião cresce sem merecimento.
Agora, o que me incomoda em outros pais-de-santo antigos e novamente falo porque vejo, é a soberba, o ar de superioridade. Pergunto: Por quê? È mais Babalorixá que eu? Claro que não, somos todos iguais perante aos Orixás, se assim não for fui enganado e reclamo meus direitos. A diferença entre filhos e pais na Religião são os axés recebidos para fazer frente às diversas responsabilidades que são comuns a todos Babalorixás e Yalorixás. Apenas isso! Pois Orixás todos têm!

Outra coisa que é cafona e estúpida é o tratamento a base de gritos e “patadas” que muitos antigos ainda acham ser necessária. Autoridade nada tem a ver com estupidez e grosseria! Falam tanto em evoluir e será que não percebem que esse tipo de regime já passou tanto na política quanto na administração vemos que líderes desse tipo são considerados retrógrados e sendo ultrapassados são colocados de fora! Então falo aos mais novos ou ainda aos mais velhos, pois nunca é tarde, não aceitem isso, não estou revolucionando tampouco desfazendo a autoridade dos Pais-de-santo que assim são, mas estou dizendo que respeito faz bem em qualquer situação e lembrando que os filhos também possuem Orixás. Esses castigos faziam parte de um passado onde a única maneira que os Pais-de-santo, que na realidade eram excluídos de uma sociedade capitalista em evolução, tinham para se impor perante um grupo. Gritos, castigos e intolerância algo como o período Gótico Cristão. “Eu sou mau!” Deixar isso claro era a melhor maneira de impor respeito e deixar intocável seu “status” sub-mundano. Castigos, punições que não sejam oferta ao Orixá é no mínimo medieval!
Mesmo sabendo e aceitando que cada Pai-de-Santo é “rei” dentro do Ilê e que esse modelo Feudal, vai ser muito difícil e improvável que se dissolva um dia, não podemos de forma alguma negar que a linguagem hoje é outra, temos obrigação de nos adaptar, os “novos filhos” da Religião se comunicam em comunidades digitais e não mais em rodinhas no fundo do Ilê, os “novos filhos” da Religião hoje estão conectados entre eles por programas de mensagens simultâneas e não precisam mais esperar a próxima obrigação da casa para ficarem horas conversando , os “novos filhos” da Religião querem mandar um e-mail para o seu Pai-de-Santo e não mais um telegrama ou escrever uma carta, os “novos filhos” da Religião querem receber uma lista de obrigação por e-mail e não mais em um papel de pão, no mínimo bem formatado em “Word”, os “novos filhos” da Religião querem saber qual o endereço do site do Pai-de-Santo do amigo e não mais saber se na frente da casa tem um placa de zinco mal pintada citando ainda por cima um santo católico, até isso, graças a Deus, opa desculpem-me foi um lapso, vamos de novo Graças aos Orixás, esses “novos filhos” já estão negando as tradições do sincretismo sem ter vergonha em dizer: “Sou batuqueiro!” e não ter que dizer: “Sou kardecista!” ou ainda: “Sou Umbandista!”, nada contra se na realidade não fossem BATUQUEIROS. Em tempo, os “novos filhos” estão lendo “e-books”, escutando rezas em “mp3” e aprendendo sobre nossa Religião em “podcast” para “I-POD”, até os livros e CD’s já estão começando a ficar pra trás. Pois é, os “novos filhos” da Religião são uma realidade e eles querem evolução, eles gritam por evolução e será que todos os Babalorixás estão escutando isso!? Claro que não! Não ser preconceituoso não é apenas aceitar o homossexual, o travesti e as diversas raças. Não ser preconceituoso e aceitar a evolução humana e tecnológica.
Acredito na leitura sobre assuntos religiosos, apesar de isso ir em contra o pensamento de muitos “antigos”, temos que nos conectar a estudiosos que se preocupam com nossa Religião, não com os fundamentos, isso a eles não cabe discutir, mas falo em antropologia, sociologia, psicologia e comunicação social. Dentre esses senhores, existem também “os que eu gosto” e “os que não gosto”. Possuo uma via de comunicação aberta com Norton Correa e com Reginaldo Prandi, pessoas acessíveis e posicionadas, com as quais me identifico e de fato simpatizo muito, porém existem os que não tenho a mesma afinidade, não posso dizer que não tentei por inúmeras vezes um contato com Ari Pedro Oro, mas nunca tive resposta, assim deixei de simpatizar e procuro indicar e ler outras obras, pois aquilo que o acesso a mim é evitado, não me interessa. Convivo com Mestres e Doutores, por opção, não quis ser um e por mais contraditório que pareça ser, costumo dizer que “não gosto de estudar, mas gosto de aprender!”, então conheço o comportamento “superior” de alguns que me remete a comparação com o tipo de Babalorixá já citado acima, ou seja, “o senhor da cocada-preta”. “Semi-oticamente” falando, costumo pensar: “as paredes do “campus” podem deixar o acadêmico bitolado, porém ir a “campo” não!”. Talvez Umberto Eco não me perdoaria com a banalização da matéria, mas, todos sabem que crianças que foram criadas em creches ou em grupos com outras crianças, isto é, em contato com o “externo”, possuem mais facilidade de inclusão em meios sociais diversos e são mais simpáticas que as crianças que tiveram de ser privadas desse tipo de criação. Para esses “Mestres e Doutores”, quero lembrar no melhor estilo “fitinha no dedo”, que os “estrangeiros” no processo como um todo são eles e simpatia é pertinente à evolução.

Rodrigo de Xapanã Belujá

 

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