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Ogum não é São Jorge

Os negros ao desembarcarem da África aqui no Brasil, trouxeram em seus corações e mentes o amor pelos seus Deuses que sem dúvida alguma foi considerado pelos “senhores” deuses pagãos.

Como podemos ler no texto, “O Orixá e a pedra”, já publicado nesta coluna, a representação do Orixá está na pedra, o Alcutá. Agora vamos dirigir nosso raciocínio para a época da escravatura.

Os negros ao desembarcarem da África aqui no Brasil, trouxeram em seus corações e mentes o amor pelos seus Deuses que sem dúvida alguma foi considerado pelos “senhores” deuses pagãos. A única maneira de fazer com que este “senhores” deixassem com que eles cultuassem os Orixás era camuflar os mesmos de forma com que ninguém desconfiasse. Para que não houvesse engano, os negros tinham que conhecer a história dos santos brancos a fim de relacionar fatos e feitos para poder associar os Orixás africanos aos santos católicos. O raciocínio era fácil: tinham, os negros, um Deus que trabalhava com energia de abertura de caminhos, o dono da chave; os brancos também louvavam um santo que possuía uma chave em suas mãos, o guardião das portas do céus, pronto está feita uma associação: Bará e São Pedro. Também havia um Orixá guerreiro, que vencia as piores demandas, um grande combatente contra as piores demandas da terra e do astral, os brancos cultuavam um santo cuja sua imagem era a de um cavaleiro lutando contra um enorme dragão que cuspia fogo, temos então outra associação: Ogum e São Jorge. E assim por diante encontramos relações sem fazer muita força, para os conhecedores das histórias de santos como: Santa Bárbara, São Jerônimo, São Sebastião, São Roque, São Lázaro e assim por diante.

Feitas as relações os negros escondiam os Alcutás atrás das imagens dos santos da religião dos brancos e durante seus rituais que somente poderiam ser a noite após a longa jornada de trabalho pesado, tocavam tambores, cantavam e dançavam dentro das senzalas, os “senhores” achavam diferente aquela maneira de “rezar”, porém quando faziam visitas inesperadas as senzalas se deparavam com as imagens de seus santos e apenas podiam achar, diferente!

Como escrevi no parágrafo acima, os rituais eram noturnos por uma questão de necessidade, não que seja necessário como fundamento religioso, até porque o Orixá não possui hora, local ou data marcada para se manifestar. Fica aqui uma reflexão, precisamos nós em pleno século XX fazer o mesmo? O que gostaria de deixar é que o Batuque é básico e transparente como a água, nós é que fazemos “mistérios” e as vezes até nos fazemos acreditar em “fundamentos” inexistentes.

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