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Axé e tecnologia

Para muitas pessoas da sociedade, ainda somos aqueles que matam aves e animais de quatro-patas, somos pessoas que por algum motivo qualquer não devemos ter relações sociais com outro grupo que não seja o nosso, pois aterrorizamos as pessoas, entupindo as ruas e encruzilhadas de “feitiço”. Isso tudo se fazia necessário na época de nossos avós ou para os mais novos, como eu, nossos tataravôs, já que não existia para eles nenhuma outra maneira mais civilizada de se impor perante a sociedade branca, cristã e exploradora da época, a não ser, se “filiar” a instituições que mancomunadas com a polícia repressora da época que em troca de mensalidades os terreiros e ilês se faziam protegidos. No mesmo conceito que excluo imagens cristãs de minha cultura afro-religiosa não vejo mais a necessidade de afrontar de forma dantesca, os membros de uma sociedade ainda pré-conceituosa. Hoje temos outros métodos de se fazer respeitar que pela falta de cultura e acesso a informação, nossos antepassados não possuíam. Ao nosso lado estão sociólogos, filósofos, psicólogos, antropólogos, juristas, enfim uma gama expressiva da ciência social, assim como temos ao nosso lado uma outra grande fatia intelectual que são os estudiosos e profissionais da comunicação social. Todos esses profissionais juntos e abastecidos de informações verdadeiras e desmistificadas podem gerar informação, ou melhor, a tecnologia da informação. Sim, cheguei na tecnologia! Que termo complicado para os retrógrados pais-de-santo que se escondem atrás de todos os mitos que acima, nas primeiras linhas citei. Para lembrar: A evolução faz parte da natureza humana!
Lembrado, aprofundo mais especificamente. Todas as religiões buscam cativar fiéis e seguidores, umas de forma mais civilizada outra nem tanto, assim diria nosso nobre Deputado Manuel Maria, mas acredito que ele está defendendo os interesses dele e por isso deve ser no mínimo respeitado, cabe a nós rebater, lembro, utilizando métodos tecnológicos, não precisamos mais dos artifícios quase que teatrais dos antepassados. Esse apoio espiritual que é fundamental devemos fazer dentro de nossas casas que são propriedades privadas. Vamos então divulgar o que está acontecendo, embasados em leis e argumentos concretos e não no sobrenatural, temos que nos dar conta que nem todos acreditam em que nós acreditamos. Mais uma vez, devemos nos agarrar em tecnologia.
Existe hoje, para aqueles que ainda não entenderam muito bem, um modo de nós nos comunicarmos com pessoas nas mais distantes localidades do mundo que chamamos de Internet. Podemos utilizar esse recurso para divulgar nossa Religião, nossa Cultura! Não precisamos ensinar como fazer a Religião, mas devemos sim dizer quem somos, o que queremos e em que acreditamos. Mostrar que não somos “malvados cortadores de animais”. Se existem Babalorixás que vão um pouco mais longe, ensinam a montar uma “simpatia” e deixam claro que é apenas uma “simpatia”, sem medo de represálias dos nossos Orixás é porque possuem a mesma convicção que eu, a simpatia nunca vai virar um “trabalho para o santo” se a pessoa que montou não tiver o axé. Então pergunto, por que não fazer? Por que não ser simpático? Por que não agradar? No mínimo o que foi montado pelas próprias mãos de um fiel vai gerar um dos nossos maiores aliados o “efeito placebo”. Ou alguém ainda pode achar que ele não nos ajuda. Ah! Se alguém não souber do que se trata, pesquise, use a Internet, é fácil. Ainda sobre a Internet, podemos falar sobre os Jogos de búzios a distância, não sejamos ridículos em pensar que o computador é quem faz o jogo ou ainda que o “jogo virtual” é verdadeiro, claro que não, o “jogo virtual” é apenas uma maneira de “quebrar o gelo”, uma sadia recepção ao desconhecido. Mas voltando ao jogo a distância, existe alguém que acredita que a energia e alcance do Orixá está restrita a apenas o meio metro que segundo alguns devem separar o Babalorixá e o consulente? Não poderia jamais acreditar nisso, seria um desprezo aos amados Orixás. Qual Babalorixá ou fiel que está lendo esse texto nunca utilizou o telefone para fazer uma consulta de búzios? Quem aqui nunca recebeu um telefonema assim: “dá uma olhadinha aí nos búzios para mim?”. Não sejamos hipócritas!
Sobre distância, ainda temos a televisão, rádio e jornal. Muitos pais-de-santo que aparecem em entrevistas e programas fixos eu realmente admiro, são centrados e possuem fundamentos se são caros ou não é um problema deles e dos fies. Funciona? O fiel pode pagar? Então é o que vale. Se eles estão errados ou não quem decide mesmo são nossos Superiores e tenho a convicção que os nossos Superiores não estão sentados em cadeiras atrás de mesas... Mas falei dos que admiro pela cultura e fundamentos, mas tem aqueles que desprezo que estão dando entrevistas apenas para preencher a pauta de um jornalista que na maioria das vezes não conhece nada de religião tampouco os religiosos. Vale aqui o que escrevi no início, eles precisam de informações verdadeiras e desmistificadas.
Também sabemos que somos além de uma regra básica de religião, temos Os que realmente definem as coisas. Que pode ser confirmado e reconfirmado com um número infinito de pais-de-santo aos quais temos confiança, principalmente quando tal determinação foge no convencional. O que quero dizer que cada casa de religião possui sua “independência”, mas não pode fugir dos fundamentos. Falo isso porque em visita a minha casa no início do ano, meu amigo e grande mestre Norton Corrêa, fez colocações tentadoras e relatou que possui material inédito sobre a Religião africana no Rio Grande do Sul. Ou alguém aqui vai ter cacife em dizer que a Mãe Oxum e a Mãe Iemanjá e suas filhas respectivas Mãe Moça e Mãe Esther, não tinham autorização ou fundamento em revelar segredos ao Norton que tinha como objetivo revelado em escrever uma obra literária e dar palestras sobre o assunto. Bem acho que precisamos rever nossos conceitos.
Sinceramente, isso tudo não me preocupa, mas o que me preocupa sim é a exploração que fizeram e fazem com muitos de nosso irmão argentinos e uruguaios, me preocupa sim, são os Babalorixás que cada vez mais tentam um “batuque esotérico” ou os Babalorixás que andam aprontando filhos em série como fábrica de bonecos. Isso sim me preocupa, pois estas atitudes estão ligadas a perda de fundamento religioso.

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